Fui relutante a falar sobre o
tema, pois me encontro à margem dos acontecimentos, visto que só acompanho pela
TV, mas com toda essa espuma em torno dos ‘playba’ maconheiros que causaram na
USP, resolvi acordar esse blog e me manifestar.
Tudo bem que estamos caminhando
para a anarquia geral e que a cada geração as pessoas se sentem mais donas do
seu nariz e mais no direito de fazer o que bem entendem das suas vidas, mas será
mesmo que 400 estudantes fariam tudo que fizeram apenas para poderem ter a
liberdade de fumar maconha sem a presença da PM nas imediações da Cidade Universitária?
Esse é o ponto de vista que estão
tentando nos vender desde há semana passada, quando começou toda a
manifestação, em função da autuação de três alunos da USP que supostamente portavam
maconha, mas e a versão de quem está reivindicando?
Os estudantes contam que o
episódio com os alunos é apenas a ‘gota fora do balde’, pois já reivindicam a saída
da PM de lá há muito tempo, em prol da ‘autonomia universitária’. “A presença
de forças militares no campus não apenas em história longínqua, como também em
anos recentes, não esteve relacionada à garantia de segurança e ao combate ao
crime, mas sim à repressão política ao movimento social da Universidade. Em
2009, por exemplo, a Polícia Militar transformou o campus do Butantã numa praça
de batalha ao reprimir um movimento grevista”, disseram os diretores do
Diretório Central dos Estudantes da USP em entrevista ao blog do Leonardo
Sakamoto, jornalista e doutor em Ciência Política.
Segundo eles, a presença da PM no
campus não é uma garantia de segurança aos alunos e que essa deveria ser assegurada
pela guarda universitária, que não inibe ou interfere movimentos estudantis que
possam o ocorrer. Em defesa desse argumento, inclusive, eles lembram que no
episódio do início do ano, quando um estudante de economia morreu após ser
assaltado, havia uma ronda da PM na Cidade Universitária, que infelizmente não
impediu que o crime acontecesse.
O caso é que existe uma briga política
muito forte dentro da USP, o reitor João Grandino Rodas não é das pessoas mais
queridas por lá e já vem de um histórico de repressão a movimentos sociais e
estudantis. Indicado pelo governador, José Serra, o reitor foi declarado persona
non grata na Faculdade de Direito da USP, em sua unidade de origem,
justamente pelo perfil repressor que impõem em sua gestão.
Eu, sinceramente, penso que a
maconha é coadjuvante nessa história toda, os alunos já estavam com a PM
atravessada há muito tempo e aproveitaram a detenção dos ‘maconheiros’ pra
bater o pé e lutar pelo que acreditam ser o melhor para eles. A verdade, porém,
é que não deveriam ter depredado a universidade, nem muito menos agredido a imprensa, perderam qualquer razão que
poderiam ter, e também qualquer chance de que a opinião pública tentasse os entender ou pelo menos deixassem de enxergá-los apenas como revolucionários de causa nenhuma. Mas é fato também que a partir de um conflito pesado,
como foi o que tiveram com a PM, é humanamente impossível controlar o impulso
de tanta gente, como diz a música intitulada ‘Tumulto’ d’O Rappa, “existem
certos momentos que atinge o inconsciente popular”, por isso, “Eu sempre penso duas vezes antes de
entrar”, #FicaAdica.



