08 novembro 2011

Maconheiros, baderneiros ou militantes?


Fui relutante a falar sobre o tema, pois me encontro à margem dos acontecimentos, visto que só acompanho pela TV, mas com toda essa espuma em torno dos ‘playba’ maconheiros que causaram na USP, resolvi acordar esse blog e me manifestar.

Tudo bem que estamos caminhando para a anarquia geral e que a cada geração as pessoas se sentem mais donas do seu nariz e mais no direito de fazer o que bem entendem das suas vidas, mas será mesmo que 400 estudantes fariam tudo que fizeram apenas para poderem ter a liberdade de fumar maconha sem a presença da PM nas imediações da Cidade Universitária?  Esse é o ponto de vista que estão tentando nos vender desde há semana passada, quando começou toda a manifestação, em função da autuação de três alunos da USP que supostamente portavam maconha, mas e a versão de quem está reivindicando?

Os estudantes contam que o episódio com os alunos é apenas a ‘gota fora do balde’, pois já reivindicam a saída da PM de lá há muito tempo, em prol da ‘autonomia universitária’. “A presença de forças militares no campus não apenas em história longínqua, como também em anos recentes, não esteve relacionada à garantia de segurança e ao combate ao crime, mas sim à repressão política ao movimento social da Universidade. Em 2009, por exemplo, a Polícia Militar transformou o campus do Butantã numa praça de batalha ao reprimir um movimento grevista”, disseram os diretores do Diretório Central dos Estudantes da USP em entrevista ao blog do Leonardo Sakamoto, jornalista e doutor em Ciência Política.

Segundo eles, a presença da PM no campus não é uma garantia de segurança aos alunos e que essa deveria ser assegurada pela guarda universitária, que não inibe ou interfere movimentos estudantis que possam o ocorrer. Em defesa desse argumento, inclusive, eles lembram que no episódio do início do ano, quando um estudante de economia morreu após ser assaltado, havia uma ronda da PM na Cidade Universitária, que infelizmente não impediu que o crime acontecesse.

O caso é que existe uma briga política muito forte dentro da USP, o reitor João Grandino Rodas não é das pessoas mais queridas por lá e já vem de um histórico de repressão a movimentos sociais e estudantis. Indicado pelo governador, José Serra, o reitor foi declarado persona non grata na Faculdade de Direito da USP, em sua unidade de origem, justamente pelo perfil repressor que impõem em sua gestão.

Eu, sinceramente, penso que a maconha é coadjuvante nessa história toda, os alunos já estavam com a PM atravessada há muito tempo e aproveitaram a detenção dos ‘maconheiros’ pra bater o pé e lutar pelo que acreditam ser o melhor para eles. A verdade, porém, é que não deveriam ter depredado a universidade, nem muito menos agredido a imprensa, perderam qualquer razão que poderiam ter, e também qualquer chance de que a opinião pública tentasse os entender ou pelo menos deixassem de enxergá-los apenas como revolucionários de causa nenhuma. Mas é fato também que a partir de um conflito pesado, como foi o que tiveram com a PM, é humanamente impossível controlar o impulso de tanta gente, como diz a música intitulada ‘Tumulto’ d’O Rappa, “existem certos momentos que atinge o inconsciente popular”,  por isso, “Eu sempre penso duas vezes antes de entrar”, #FicaAdica.

26 agosto 2011

Corrupção - 7 de setembro é o dia do combate


Como não poderia ser diferente tratando-se de Brasil, a corrupção segue em alta por aqui. Seja você lesado ou beneficiado por ela, esta é uma prática, infelizmente, bem conhecida e aceita por todos nós, talvez por rondar essas terras tupiniquins desde os tempos em que éramos colônia dos ‘Manuels’.

De lá pra cá passamos por inúmeras gerações, Getúlios, Jangos, Sarneys, Fernandos, Lulas e muitos outros, e o que podemos constatar de mudança é só mesmo o aumento da cara de pau dos malandros. O que antes era feito às escondidas, hoje faz-se à luz do dia, com dinheiro na cueca, na meia, na mala e se duvidar até no cú. Também existem ainda os mais tradicionais, que simplesmente metem no bolso e disparam aquele brado retumbante: ‘to me lixando para a opinião pública!’.

Pois bem, estamos em agosto, oito meses de governo Dilma e o que vemos é uma “tentativa” de limpeza na casa, a qual eu assisto admirado, porém, descrente de que vá ser levada a ferro e fogo, como tem que ser. Até aqui, já teve mais de um ministro caindo, mais de um ministério sendo investigado, mais e mais escândalos aparecendo e mais coisas indo para debaixo do tapete, essa é a verdade. 

Mesmo nossa presidente esboçando uma certa vontade de, se não acabar, pelo menos diminuir com quantidade de políticos vagabundos que compõem a escória da classe, muitas pessoas, alguns inclusive ditos petistas (se é que ainda existem), a criticam por tal varredura, pois vêem nesses escândalos a possibilidade de denegrir a imagem do legado deixado por Lula, quando na verdade só vêm a somar para o desenvolvimento do país. Enfim, não há como esperar outra postura de quem faz política com politicagem e não com propostas sérias de cunho e interesse social. 

Por mais que não gostemos, a corrupção vai continuar sendo uma prática bem conhecida por nós, pois o processo de limpeza é longo e inevitável. O que precisa mudar de imediato é o fato de aceitarmos isso como parte do jogo, pois não é nem nunca deveria ter sido. No mundo todo, temos visto povos protestarem por questões distintas, em diversos países, na Europa, Oriente Médio, África e até na América Latina, como recentemente no Chile pela educação. E nós? Seguiremos calados, passivos a tudo isso, aceitando esses canalhas como parte do jogo?

Estamos a pouco mais de uma semana para o dia da independência do Brasil, 07 de setembro, um feriado que simboliza a liberdade conquistada no passado, mas que na realidade nunca foi desfrutada em sua essência pelo povo brasileiro. Nesse dia, em todos os cantos do Brasil, estarão acontecendo diversas marchas para mostrar ao mundo nossa indignação quanto a situação a que somos submetidos pelo sistema político ao qual temos que obedecer. Se você está indignado com a corrupção e, principalmente, cansado de cruzar os braços diante dela, não deixe de participar e engrossar a voz de quem há muito tempo precisa ser ouvido.

Em são Paulo a marcha acontecerá na Av. Paulista, todos se reunirão no vão do Masp para um protesto pacífico contra à corrupção, não deixem de comparecer e divulgar nas redes usando a HashTag #ODiaPelaIndependência! 


Veja onde acontecerá a manifestação de seus estado, clique aqui

Mais informações acesse a página do Manifesto, no Facebook.

04 junho 2011

A música forma e transforma

Em uma linda tarde de um final de semana qualquer, há cerca de 10 ou 15 anos, estávamos eu e minha mãe em uma loja de CDs, ou melhor, de discos (putz), eu a acompanhava para a compra do álbum “Amigos”, um LP onde as maiores duplas sertanejas da época tocavam suas músicas em um show ao vivo. Naquele tempo meu conhecimento musical se limitava às fitas que meu pai tinha do Raul Seixas, eu ficava as ouvindo repetidamente dentro do carro, parado na garagem de casa, fascinado com as idéias do maluco beleza, que eu achava parecidíssimo com meu velho.

Naquele dia vi o LP de um artista relativamente novo, que começava a fazer sucesso com uma música que virou hit e eternizou o estereótipo de futilidade às loiras, a ‘Loira burra’, de Gabriel o Pensador. Como qualquer criança chata, fiquei buzinando na orelha da minha mãe até que ela comprasse o LP do Gabriel, o desfecho não poderia ser outro, eu venci, pelo bem de todos.

Me recordo de escutar este disco de maneira ininterrupta por meses. Tinha uma vontade incansável de decorar as letras, que eu considerava diferente de tudo que já conhecia, um estilo agressivo, contestador e ao mesmo tempo esculachado, em uma levada de RAP que impressionava mesmo há quem já conhecia Racionais e Thaide, não era o meu caso.

O tempo passou, me tornei um grande fã do Gabriel, que foi talvez o maior responsável, ao lado de Raul Seixas, por eu cultivar uma admiração imensa pelo trabalho de composição. 

A era dos CD’s tornou meu disco obsoleto, na visão do meu irmão mais velho, inútil, por isso o jogou fora, junto com outros LPs, também sem utilidade para ele, como o favorito da minha, do Elvis Presley.

Um dia desses, quando resolvi dar uma geral nas prateleiras lá de casa, como sempre faço nas vezes que surto e decido ajudar na arrumação, procurei um CD para ouvir, uma trilha sonora para meu momento doméstica, eis que me deparo com um encarte ligeiramente familiar, que trazia a imagem de um monumento famoso, O Pensador, era o primeiro álbum do Gabriel o Pensador, em CD, que minha mãe havia comprado por ser fã, não só do rapper, mas também do escritor que ele havia se tornado.

Foi incrível pra mim rever idéias, anteriormente assimiladas com cabeça de criança, que mal sabia como funcionava o mundo-cão em que vive, mas já era bombardeada com idéias de musicas como ‘Hoje eu to feliz, matei o presidente’, e ‘Lavagem cerebral’. 

A música tem um poder incrível de transformação do senso crítico das pessoas, tanto para expandi-lo, quanto para retraí-lo, espero que vocês pensem nisso quando forem comprar um CD para o filho de vocês. Gabriel é uma boa pedida, tanto seus CDs quanto seus livros.

31 maio 2011

O Perfume do Pau Rosa



O romance 'O perfume do pau-rosa' conta a vida de personagens que participam da extração do linalol, óleo que serve como matéria-prima para a fabricação do famoso perfume francês Chanel nº 5. Até hoje é da madeira desta árvore, Pau-rosa, que é extraída essa cobiçada substância da indústria de fragrâncias. O perfume do pau-rosa, selecionado pelo Programa Petrobras Cultural, traz aos leitores o cenário exuberante de nossa Floresta Amazônica, bela e única, contrastando com lástimas das histórias de vidas de seus personagens. Homens e mulheres expostos a toda falta de sorte, porém que ainda guardam segredos, lendas, sonhos, pinceladas de amor e esperança, mesmo dentro de um sistema desumano.

“Pretendo com esse romance mostrar o caminho que liga um perfume tão apreciado internacionalmente, à forma da sua extração, que não cheira nada bem.” Luiz Lauschner

Anualmente, a Petrobras lança o Programa Petrobras Cul­tural que visa patrocinar a produção das artes brasileiras, quer seja na música, no teatro, nos filmes, exposições ou na literatura. Foi assim que afortunadamente, Luiz Lauschner conseguiu os recursos que permitiram pesquisar, escrever e publicar O perfume do pau-rosa, livro lançado em Manaus pela Conecta Brasil.

A valorização da nossa diversidade cultural, maior patrimô­nio da população brasileira, é um dos pilares da Conecta Brasil e um dos temas que mais me inspiram quer como escritora ou editora.

Essa obra, instrumento de e para a cultura, retoma o senti­do original dessa palavra, que é cultivar. Uma vez que nos traz as infinitas possibilidades de criação simbólica expres­sas nos modos de vida, motivações, crenças religiosas, valo­res, práticas, rituais e identidades de seus personagens, no coração da selva Amazônica.


28 maio 2011

Marcha da Liberdade - 28 de maio de 2011


"Ciclistas, peçam a legalização da maconha… Maconheiros, tragam uma bandeira de arco-íris… Gays, gritem pelas florestas… Ambientalistas, tragam instrumentos… Artistas de rua, falem em nome dos animais… Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado… Moradores de Higienópolis, venham de bicicleta… Somos todos cadeirantes, pedestres, motoristas, estudantes, trabalhadores… Somos todos idosos, pretos, travestis… Somos todos nordestinos, bolivianos, paulistanos, vira-latas. "

Como muitos de vocês acompanharam, no sábado passado, dia 21 de maio, o estado, representado pelos ‘porcos fardados’ que foram à Paulista coibir a manifestação em prol da descriminalização da maconha, mais uma vez mostrou-se falho, incompetente e principalmente injusto ao tentar se impor diante de ideias que o confrontam.

Falho porque o que vimos não foi uma tentativa de coibir, mas sim, de reprimir ostensivamente a população utilizando cassetetes, sprays de pimenta e balas de borracha contra uma manifestação completamente pacifica.

Incompetente porque, mesmo com todo o caos que se instaurou, a manifestação aconteceu e ganhou até mais proporções do que ganharia se tivessem liberado a porra da passeata.

Injusto porque não importa o que esteja sendo reivindicado, não se pode jamais calar a vontade do cidadão se expressar. Esse é o ponto mais preocupante de todos, porque não é novidade pra ninguém que o governo é falho e incompetente, foi sempre assim desde que me entendo por gente, o que eu não aceito é que voltem com esse pensamento da época da ditadura, de censurar descaradamente a voz de milhões de pessoas, como se fosse uma coisa normal.

Se legalizar a maconha (ou não) será bom para o futuro do país, é um outro ponto, que precisa ser conversado e discutido, para que se chegue a um consenso. Não considero, se quer, razoável que impeçam as pessoas de reivindicar por algo que acreditam. se até mesmo pensamentos retrógrados, preconceituosos e absurdos como os do Deputado Jair Bolsonaro são ouvidos e assimilados sem que se faça menção de mandá-lo ficar quieto, porque não conseguem ouvir: legalize a Maconha?

Porque, após anos de combate fracassado ao narcotráfico e usuários de drogas, ainda fingem não olhar para o que está sendo reivindicado? 

A questão é que, por comodidade, tratam a legalização da maconha como uma causa somente dos maconheiros (que já representa grande parte da população), ignorando o fato de que o resto da sociedade, independente da classe social que pertença, fica a mercê do crime organizado, que enriquece brutalmente vendendo um produto que poderia ser plantado pelos próprios consumidores, ou vendido pelo governo, que ganharia uma grana preta de impostos em cima desse bando de nóias, como gostam de chamar.

A partir da repressão à Marcha da Maconha, surgiu a Macha da liberdade, com a ideia de que todas as pessoas que tenham uma causa a reivindicar (se você não tem, certamente está um pouco desligado do mundo) se unam no próximo sábado, dia 28 de maio, no vão do Masp, para levantar em conjunto todas as bandeiras, pois na verdade, as causas são todas coletivas, afinal, somos parte de um todo, e todos que merecem ser ouvidos e respeitados.

Eu gostaria muito de ter a possibilidade de cancelar alguns compromissos e ir à Paulista dar meu grito de liberdade a esse bando de FDP, mas infelizmente estou com zilhões de coisas inadiáveis que precisam ser feitas e não poderei comparecer, por isso resolvi abrir espaço para esse tema e contribuir mesmo que minimamente com esse ato cívico que está prestes a ser realizado novamente amanhã. 


A justiça mais uma vez proibiu, na noite de hoje, que a marcha venha a ser realizada, mas eu duvido que eles consigam impedir o povo. Quem tem que dizer não somos nós!

“Aprenda a dizer não, pense um pouco meu irmão, você tem medo de quem?”